terça-feira, 7 de junho de 2011

Sábios mosquitos

Agora a chuva me atrapalha em trabalhar. Deveria acontecer o contrário, como sempre o é, e eu deveria devorar livros e fazer anotações ao tempo em que os pingos caem, mas há trovões lá fora e, se troveja, eu bocejo. Tenho ao lado a bíblia dos céticos, meu fumo e uma caneca vazia. Os mosquitos abrigam-se do frio em meus pés, que já estão ardentes e vermelhos das mordidas. Sou agora um mosquito. Tão fácil ser um pequeno arteiro, adentrar a casa alheia, zumbir no centro do cérebro de alguém e furar-lhe os pés, avançar ao último cômodo e encontrar uma moça desnuda roçando-se em lençóis macios, recostar sobre seu corpo quente, tomar-se inteiro de fina pele feminina, sugar seu sangue e levantar vôo. Se morri, morri e é só; morri uma morte bonita, de suave tapa de mulher em êxtase.

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