terça-feira, 21 de junho de 2011

Durante a madrugada

Te agarro o braço e seguimos pela beira da pista, sem nenhuma luz é preciso te segurar firme. Eu sei de seus medos e é por isso que o aperto tão forte enquanto procuro a cidade mais próxima. Todas as outras vezes foram semelhantes e em todas elas consegui encontrar abrigo para passarmos a noite até que amanhecia e engoli o sol daqueles lugares para te afastar de qualquer perigo e ao fim do dia descansarmos em casa. Hoje a noite está mais escura e meus sapatos me machucam os pés e também tenho muita fome. Não importa o que me aconteça é preciso te tirar daqui. Não temer a estrada me deixa preguiçosa em avançar porque sei que poderia me deitar aqui mesmo e dormir até o amanhecer; o faço por você que é quem precisa de abrigo, de concretude, de um acenar de mãos qualquer. Meus pulmões já estão limpos das horas sem maços então sem dúvida precisamos chegar a algum lugar e dormir o quanto antes para ver se o mal estar se vai. Trocar os ares é necessário para que sensações presentes tomem outras formas e distorção gera uma curiosidade que me dá certa euforia. Mas não se preocupe, ficarei para te segurar e minha missão será o proteger das sombras todas as vezes em que aparecerem, por que te amo e por que sei que sempre há uma cidade vizinha da estrada.

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