quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ainda de manhã

Durmo profundamente quando o telefone toca uma unica vez, mas suficiente para me despertar as idéias. Fato é que sei de minhas idéias estarem também despertas durante o sono e por essa certeza já não sei se realmente acordo. Sei de o telefone tocar e de uma cachoeira de idéias adentrar-me o cérebro, ou está ela saindo de mim. A diferença passa a me importar muito, gostaria de distinguir com clareza quando as idéias vem de fora e quando são genuinamente minhas, e se alguma vez já foram genuinamente minhas e se algum de nós tem idéias genuínas. Talvez as percepções externas gerem as idéias de dentro. É isso e sinto alívio em saber que é isso. Pego um papel e faço anotações por sentir que serão importantes, noutra hora. Levo mais de uma hora procurando a origem dos meus pensamentos e tudo isso pelo maldito toque de telefone que penetra no campo de idéias despertas de quando durmo. Sinto-me pregada; partes se distorcem e outras se esclarecem e não há nada o que fazer quando algo lhe desperta o sono. Ou é isso, ou é uma peça dos sonhos.

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